14/10/2012

Sinto falta disso ..


De salto alto, maquiagem e vontade nenhuma de sair. Foi assim que voltei aquela cidade, que há 10 anos atrás, jurei nunca mais voltar. Desci do carro e logo entrei e subi. Simplesmente não falei com ninguém e quando tranquei-me no quarto, ouvia nos corredores pessoas resmungando e falando do meu mau comportamento. É, realmente elas não sabem 1/3 do que eu vivi aqui. 
Quando desci, vi pessoas diferentes, pessoas as quais nunca tinha visto e os rostos não me eram estranhos, se é que me entende. E caminhando entre as árvores, embaixo de toda aquela sombra, me lembrei de momentos que já queria ter esquecido.  
As coisas começaram a se mexer e comecei a sentir borboletas no estômago como eu sentia há 10 anos. “Como assim?” Pensei. Parecia um flash back e eu não estava me sentindo bem com isso, sério. Coisas que já estavam enterradas na minha cabeça, começaram a ficar mais fortes no meu pensamento e eu não conseguia mais me controlar. Estava com muita vontade de sair correndo e jogar tudo para o alto como eu fiz da última vez, mas meus pés não me obedeciam e minhas pernas estavam tremulas. Foi ai que de longe, vi um rapaz, em um cavalo branco, parecia coisa de conto de fada, mas me dei conta de que estava sonhando. E quando acordei, estava caída no chão, mas ainda havia um cara, só que estava tentando me acordar, de bermuda e camiseta branca, com olhos esverdeados e um cabelo arrepiado loiro. Foi a melhor imagem que eu já vi na vida. 
Ele me acordou me balançando pelos ombros, de um modo jeitoso e com carinho para que eu não me assustasse e/ou muito menos desmaiasse de novo. “Mas como desmaiar com cara lindo desses me acordando?” Pensei. E foi quando ele falou: -“Júlia, Júlia, você está bem?”. E eu, com cara de quem não estava entendendo nada disse:  -“Você me conhece? Da onde? Como sabe meu nome?” E ele, com sorriso bobo no rosto virou para mim e disse: - “Sou eu, Thiago, lembra?” Mil pensamentos começaram a surgir na minha cabeça de novo e eu temendo desmaiar mais uma vez, segurei-lhe nas mãos bem forte. Ele sentia meu medo de cometer o mesmo erro do passado, mas por um instante, causei-lhe conforto e tranquilidade. E ali ficamos por horas, conversando. 
Eu disse que sentia saudade de casa, e ele me respondeu:  -“Sua casa é aqui”. -“Não, não é. Nunca foi e por isso eu fui embora.” 
Ali, tivemos lembranças inesquecíveis. Como daquela vez que banhamos no lago o dia inteiro,até nossos pais nos procurarem mais de onze horas da noite. “Sinto falta disso!” - exclamei. -” Falta de quê?” -“De ter um grande amor.”

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